Brasília, 03 de julho de 2006.

Ao Excelentíssimo Senhor Ministro Álvaro Augusto Ribeiro Costa
DD Advogado-Geral da União
Assunto: Remuneração dos advogados públicos federais/renúncia ao cargo de Ministro

 
Senhor Ministro, 

                Permita-me algumas breves linhas para dizer a Vossa Excelência que é insustentável e inqualificável o que o governo fez com a Advocacia Pública. O senhor não tem idéia do sentimento, do abatimento e da revolta daqueles que defendem o interesse público dentro dessa Instituição centenária e parcialmente destruída. 

                        Nos rebaixaram, nos pisaram, feriram nosso orgulho, afirmaram que valemos pouco ou quase nada. Que tragédia. A Advocacia Pública, e a PGFN em particular, não merecia isso. 

                        O governo do Partido dos Trabalhadores não merecia, por sua História, essa pecha de ter esquartejado e enterrado a Advocacia Pública e as Carreiras que defendem o patrimônio de toda a sociedade brasileira. 

                        Conforme afirmamos alhures o combate a corrupção depende de uma Advocacia de Estado forte. Não há Advocacia de Estado forte e motivada sem remuneração digna. Ou não se quer verdadeiramente combater a corrupção... 

                        O que esperar de um Procurador da Fazenda Nacional que atua em causas de valores de bilhões (BILHÕES) de reais e que receberá quantia quase igual à de um agente de Polícia e inferior a de um entregador de mandados. 

                        Repito, é absolutamente insustentável e inqualificável o que fizeram com nossa Instituição, com nossa Carreira, com os defensores do patrimônio público, de toda a sociedade. 

                        Senhor Doutor Álvaro Augusto Ribeiro Costa, o senhor é o homem de mãos limpas, todos sabem. Rogo a Vossa Excelência com o respeito que tenho como homem e como Ministro de Estado, que compareceu, para minha honra, à minha posse como Presidente do SINPROFAZ: não compactue com o fim da Advocacia Pública, com o amesquinhamento das nossas Carreiras. Exija dos “cabeças de planilha” o respeito que merecemos e que nos é devido, inclusive por expressa disposição constante no Estatuto Fundamental da República. RENUNCIE Ministro, renuncie e se dirija à Nação denunciando a insensibilidade e a irresponsabilidade histórica que acabaram de perpetrar contra a Advocacia Pública Brasileira.
 

                        Respeitosamente, 

                        João Carlos Souto
                        Presidente do SINPROFAZ